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4 bons motivos para abandonar a poupança (ou quase)

3 minuto/s de leitura

Em tempos de recordes de CPFs na bolsa de valores, pode até parecer estranho falar em caderneta de poupança ainda… Mas precisamos considerar que essa é, ainda, a realidade da maioria da população brasileira.

Mas você, pessoa que está lendo esse blog sobre investimentos, tem (provavelmente) zero razões para manter seu dinheiro suado guardado na poupança. Por isso, quero falar sobre 4 pontos importantes pra entender o por quê:

1. Não se faz mais poupança como antigamente

Até meados de maio de 2012, a poupança rendia 0,5% ao mês, o que a tornava muitíssimo interessante, mais do que o governo gostaria, na verdade. Isso porque a taxa básica de juros do país (a famosa Selic) vinha caindo e os títulos públicos (que são atrelados a ela) também perdiam rendimento. Então, para evitar que investidores migrassem em peso para a poupança, o governo decidiu mudar a regra de remuneração da caderneta, freando sua rentabilidade.

Então, ficou assim:

– Se a taxa Selic é menor ou igual a 8,5% ao ano, a poupança vai render 70% dessa taxa + TR (taxa referencial, que tem sido igual a zero nos últimos anos).

– Se a taxa Selic é maior que 8,5% ao ano, a poupança vai render 0,5% ao mês + TR.

Hoje, estamos na primeira situação, já que a taxa Selic está em 2% ao ano.

E quanto é 70% de 2%? 1,4% (é só multiplicar 2 por 70%).

E por que isso não é interessante? Porque outros títulos de renda fixa (como tesouro selic, CDB, LCI e etc.) rendem 100% da taxa Selic, ficando a frente da poupança (mesmo com o desconto do IR, que é de, no máximo, 22,5% no curto prazo).

2. O rendimento é só 1x no mês

Quem já teve poupança deve estar familiarizado com a famosa “data de aniversário”: é o dia D, ou o dia em que seu dinheiro rentabiliza. Na prática, quer dizer que se você tirar o dinheiro 1 dia antes, que seja, perde toda a rentabilidade acumulada para aquele mês. Sacanagem!

Enquanto isso, todos os outros títulos de renda fixa rendem diariamente, em todos os dias úteis do ano, o que quer dizer que você não perde nada se resgatar o título em qualquer dia do mês. Bem mais bacana!

3. O créu da inflação

Como já mencionei, a taxa Selic está em 2% ao ano. Já é bem pouquinho, né? O problema é que a inflação, aquela que come o valor do nosso dinheiro aos poucos, já acumulou 3,14% em 2020 (IGBE, set/20). Entende onde quero chegar? Se nem com 100% da Selic estamos ganhando dinheiro, imagina com 70%!

Na prática, seu dinheiro não fica negativo na conta, mas você perde poder de compra. E a verdade é que nem os investimentos mais básicos da renda fixa conseguem superar a inflação hoje em dia, a não ser aqueles com prazo mais longo e baixa liquidez (ou seja, você não pode retirar a qualquer momento). Porém, nos investimentos que rendem, pelo menos, 100% da taxa Selic, perdemos um pouco menos. Não sei você, mas eu não tô querendo perder dinheiro sem motivos por aí…

4. Não é o investimento mais seguro

A grande tendência das pessoas mais leigas em deixar o dinheiro na poupança se deve à sua familiaridade (tá aí desde a época de Dom Pedro I), simplicidade (só precisa apertar 1 botão, basicamente) e à sua sensação de segurança (tá logo ali, posso resgatar a qualquer momento), e esses são fatores super compreensíveis!

Porém, a verdade é que nenhum investimento é mais seguro do que os títulos públicos federais, ou seja, o Tesouro Direto. E também não é um tipo de investimento difícil de ser entendido, além de ser 100% garantido pelo governo federal (e isso é uma coisa boa, acredite).

O que quero dizer é que não vale usar a poupança como desculpa para a segurança, ok?

Bom, eu espero que esses motivos sejam convincentes o suficiente para te fazer buscar outras alternativas, ou então conscientizar alguém que você conheça que ainda tenha dinheiro na poupança.

Mas tudo isso não quer dizer que ninguém possa ter 1 centavo lá, afinal, é melhor dinheiro na poupança do que embaixo do colchão, né? Então, se te faz dormir melhor à noite, não faz mal deixar um pouquinho de reserva ali, quietinha, só pra manter a paz de espírito. (:

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Sobre o autor
Bióloga de formação e Mestrado na área de Neurociências. Mais recentemente, Especialista em Investimentos ANBIMA (CEA), resolveu juntar as duas coisas e hoje fala de finanças com um viés psicológico, atrelado à criatividade. Na horas vagas, dá aula de inglês pra exercitar a sua multipotencialidade.
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