Educação Financeira

13º Salário, Educação Financeira, Natal e Perspectivas Econômicas

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O “13º salário”, chamado apenas de “décimo” no popular ou “gratificação natalina” no serviço público, é um recurso pago, por lei, até o dia 20 de dezembro ao trabalhador, correspondente a 1/12 do salário por mês trabalhado durante o ano, simplificando. Não cabe aqui discutirmos sobre forma de cálculo ou maneiras de receber. O importante é que muita gente espera por ele para realizar as compras de Natal. Alguns ainda o utilizam para pagar IPTU, IPVA, quem sabe até uma parte do material escolar. De qualquer sorte, simboliza um alívio, “um extra” no mês de dezembro.

Não é exagero dizer que tal comportamento (o de contar os dias para receber o “décimo”) reflete um pouco da educação financeira deficitária de parte da população brasileira, que pode ter  como motivos: (i) o histórico de inflação, que inibe a formação de poupança, uma vez que o dinheiro perdia valor muito rápido, (ii) uma compreensão equivocada de como a economia funciona, muitas vezes com dificuldades para entender o funcionamento dos mecanismos dos preços, (iii) não se preocupar com a aposentadoria, uma vez que ainda há a confiança de que a previdência estatal irá atender a todos, (iv) baixos índices educacionais, com ênfase especial à maior dificuldade em realizar operações matemáticas mais complexas. Diversos fatores poderiam ser elencados, mas os referidos anteriormente já nos ajudam a compreender o cenário.

No entanto, é importante dizer que uma boa educação financeira, um bom planejamento financeiro, é fundamental se a pessoa quer alcançar objetivos, desde sair das dívidas, até mesmo tirar umas merecidas férias. Atitudes como anotar tudo o que se gasta, ou ter uma planilha no Excel®, podem contribuir para que as pessoas possam ter um foco mais a longo prazo, possam enxergar melhor o que querem para a sua vida. O modo como se organiza as contas não é o mais importante, desde que seja feito com disciplina, constância e acima de tudo honestidade, pois se você ignorar alguma despesa, você estará enganando a si mesmo e assim nunca terá o controle do seu próprio orçamento e sempre ficará na “corrida dos ratos”, com uma vida estagnada, sem grandes perspectivas.

Fonte: formulaeficaz

Saindo da organização das finanças pessoais e partindo para o lado poupador, apesar da queda dos juros na economia brasileira o Banco Central vem registrando um aumento na captação da caderneta de poupança. É comum analistas de mercado verem isso de forma esquisita, pois mesmo com todos os produtos disponíveis nas carteiras de investimentos, muita gente ainda prefere deixar seu dinheiro em um ativo cuja remuneração não cobre nem a inflação. Como eu gosto de olhar o lado bom das coisas, prefiro ver como uma forma de despertar do brasileiro, que vem compreendendo a importância de guardar um pouco do que ganha todo mês, para no futuro sair da “corrida dos ratos”. Evidentemente não é o ideal, porém ainda é melhor do que não guardar nada ou apenas deixar dentro do porquinho em casa.

Complementando o parágrafo anterior, felizmente – em especial desde 2019 para cá – o número de pessoas que passaram a investir no mercado financeiro vem crescido substancialmente, tanto no número de investidores quanto na variação de suas carteiras. Fatores como a diminuição da atratividade da renda fixa, a baixa remuneração da caderneta de poupança, e o facilitado acesso à informação contribuem para essa estatística. Ainda assim, pouco mais de 1% da população brasileira investe no mercado financeiro (contra 65% nos EUA, por exemplo). Deve-se comemorar o crescimento do número de investidores na nossa Bolsa e no nosso mercado? Com certeza. No entanto, ainda há muito espaço para crescer. E um bom mercado de capitais é fundamental para o crescimento sustentado de um país, pois é uma ferramenta que faz com que um pequeno investidor possa ser sócio de grandes e sólidas empresas, tanto no mercado nacional quanto no internacional.


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Ainda que este ano tenha sido repleto de desafios, o Natal é uma época em que as pessoas fazem questão de visitarem suas famílias, para se reunirem, trocarem presentes e darem umas risadas. Não nos esqueçamos do que foi dito anteriormente, pois não adianta nada o sujeito compreender a noção de educação financeira e querer fazer uma ceia ou comprar presentes acima das possibilidades, pois como as tentações são muitas, é muito fácil já começar janeiro com dívidas, ou com “parcelamentos em 12x”, que o sujeito termina de pagar a compra do Natal deste ano no próximo, ficando sempre na mesma roda, sempre correndo atrás da máquina. Lembre-se do verdadeiro significado do Natal, que é a celebração do nascimento de Jesus Cristo, que lá em Belém veio ao mundo da forma mais simples. Ainda que muitas vezes não se consiga fazer o Natal dos sonhos, lembre-se que planejar é importante, organizar as finanças é importante, mas que cumprimentar os familiares, amigos e entes queridos é que mais contribuem para o Natal ser uma data tão especial.

“enquanto há quem chore, há quem venda lenços”

2020 foi um ano completamente atípico, o ano com a maior quantidade de reviravoltas nos últimos tempos. Foi um ano que tivemos uma grande crise, sem dúvida. “Crise”, que por uma ironia do destino em chinês é descrita por dois ideogramas, os quais um significa “perigo” e o outro “oportunidade”. “Perigo” porque não se sabe o que vai acontecer, se perderemos o emprego, se conseguiremos superar ou como conseguiremos superar. “Oportunidade” porque “enquanto há quem chore, há quem venda lenços”, ou seja, sempre haverá espaço para quem sabe ver as oportunidades que se avizinham, as oportunidades de negócios que podem fazer com que você saia do “perigo”.

Se 2020 trouxe grandes perigos para muita gente, podemos esperar que 2021 nos traga grandes oportunidades, pois a economia é cíclica, e após um período de queda, depressão, um novo ciclo de crescimento, euforia, otimismo, pode acontecer. Assim como 2020 foi bastante desafiador para todos nós, 2021 também o será. As projeções, num primeiro momento, indicam que teremos crescimento na economia brasileira, ainda que grande parte seja da recuperação do que deveria ter sido 2020. Com toda a intensidade que foi 2020, tivemos diversos IPOs na Bolsa, e deveremos ter tantos outros em 2021. Ou seja, há uma janela de oportunidades para quem quer diversificar seus investimentos, correr atrás dos seus objetivos.

Fonte: GX Investimentos

Claro que também deveremos ter cautela, mantermos os nossos pés no chão, pois assim como 2021 pode ser promissor, também será bastante desafiador. A conta criada em 2020 vai começar a chegar já em 2021 principalmente em virtude do cenário fiscal, que será o mais desafiador em anos, e para isso deveremos estar todos preparados. Muitos ajustes na economia brasileira deverão ser feitos, pois a inflação para o Brasil é como uma gota de álcool para quem se livrou do alcoolismo. Uma gota pode ser muito, uma caixa pode ser pouco.

No entanto, quero finalizar este texto com uma mensagem de esperança. Ainda que muitas coisas aconteçam à nossa volta, não nos esqueçamos que a grande maioria do que acontece lá fora não temos qualquer controle. Temos controle do que acontece à nossa volta. Se os ventos mudam, sopram para um lado e para o outro, temos de saber como posicionarmos as nossas velas, ou se é a hora de procurarmos um porto seguro e esperarmos a tempestade passar. Aproveite esses últimos dias do ano para fazer um balanço do seu 2020, do que você espera para 2021. Tem quem diga que traçar metas não adiante, eu discordo. Trace metas, metas realistas, realizáveis, tenha objetivos, objetivos concretos, objetivos que te façam desafiar, a ser melhor. Lembre-se de que nós sempre devemos ser a nossa própria melhor versão. Podemos ter outras pessoas como inspiração? Certamente. Mas lembre-se também que cada um tem uma história, que cada um tem a sua cruz para carregar. Aproveite esses dias, que ainda que sejam corridos para muita gente, possuem uma estranha calmaria para quem está acostumado com a correria durante o ano.

Querido leitor, se você chegou até aqui, quero te desejar um Feliz Natal, um Feliz Ano Novo, e que 2021 seja repleto de desafios, conquistas e sorriso no rosto. Um abraço meu e da equipe Smart Money!

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Sobre o autor
Economista, sob o número Corecon/RS-8245. Bacharel em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e Mestre em Economia Aplicada pela Universidade Federal de Pelotas (UFPel). Possuo formação acadêmica voltada para a resolução de problemas econômicos  através de métodos quantitativos de análise, financeiros e econométricos. Atualmente sou servidor da Prefeitura Municipal do Rio Grande (RS), e possuo conhecimentos acerca do funcionamento da estrutura da administração pública  brasileira, tendo inclusive atuado como professor de  Administração Financeira e Orçamentária. Acredito que os desafios são o principal combustível que deve mover as pessoas na busca de seus objetivos e ideais. Também tenho por princípio acreditar na capacidade dos indivíduos, para que possamos construir uma sociedade melhor, mais justa e próspera. Em nossa coluna vamos conversar sobre economia e como ela afeta a nossa vida. Vem comigo!
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