Curiosidades

Descobrindo a América Central de ônibus!

3 minuto/s de leitura

Semana passada estava olhando meus diários de viagem e encontrei vários rascunhos da aventura que fiz no verão de 2008 com meu filho pela América Central, juntamente com um fotógrafo amigo. O roteiro foi feito por ele e a ideia era improvisar ao máximo, somente dormir em albergues e apenas nos deslocarmos de ônibus, exceção as pontas aéreas. Quando se tem 30 anos, como ele tinha, planejar não é tão importante, melhor é se sentir com mais liberdade. Aí vai o texto escrito no último dia de viagem:

Centroamérica Adios!

Y se fue el viaje, amanhã começamos a voltar, sair calmamente da maravilhosa Antigua em direção ao aeroporto de Ciudad de Guatemala deixando para trás tantos registros, tantos rostos, tantos sorrisos, tantos costumes. Foram 3 semanas de viagem de ônibus que começamos no Panamá, terra dos Kunas. No caminho, vários chicken buses, um deles com direito a “sinfonia pia” quando mais de 600 pintos distribuídos em caixas cantaram por horas. Um tuk-tuk que outro de apoio e muito chão! Subimos 4 vulcões.

Crédito da imagem: Thierry Rios – Vulcão Poás, Costa Rica

Começamos pelo Poás na Costa Rica e encerramos hoje com o Pacaya na Guatemala. Esse é espetacular! Foram mais de 2 horas de subida ao longo de 3.500m (haya rodillos) com algumas paradas para acertar o compasso do coração, mas a chegada ao alto compensou ao sentirmos um vulcão ativo, literalmente, aos nossos pés. Ficamos a 3m de distância dos rios de lava! Um calor absurdo ao redor de 80°C, qualquer passo mal dado e hasta luego… Os cliques das câmeras em sequência soavam como se estivéssemos nos defendendo do fogo, na realidade estávamos reverenciando e registrando o que nunca tínhamos visto antes.

Crédito da imagem: Thierry Rios – Vulcão Pacaya, Guatemala

Mas teve muito mais: motor fundido na saída de Belize, dedo na cara quando resolvi fotografar umas crianças na beira da estrada, 12 marcas diferentes de cervejas e vários albergues. Alguns bons, com piscina, outros nem tanto, mas nem um nem outro impediu que dormíssemos bem, siempre cansados por supuesto. Afinal, férias não foram feitas para descansar o corpo e sim a mente. O albergue de San José na Costa Rica não esqueço mais. Estávamos de saída para jantar e perguntei ao meu filho onde colocar as mochilas com os equipamentos. “Em cima da cama” diz ele. Falei, “tá louco, vão nos roubar!” E ele, “pai, tem que acreditar no sistema”. Sem comentários, quando voltamos lá estavam elas no mesmo lugar…

Crédito da imagem: Thierry Rios – Placência, Belize

Teve também par de tênis e algumas camisetas deixadas pelo caminho, e a charmosa cidade colonial de Granada na Nicarágua. Em San Salvador ao perguntarmos para a dona do albergue, Dona Conchita, se americanizar o país estava dando certo, ela respondeu “se fueram los Colones y se quedaram los dolores”. Colones era a moeda salvadorenha. Teve dois dias de descanso na paradisíaca Placência em Belize (até porque vida de backpacker não é fácil) e acreditem, teve muito pouco perigo, na real nenhum. Dizem os habitantes locais que eles vivem em total segurança, quando ninguém está dando um golpe ou não está acontecendo nenhum “templor”, o que não seria de todo ruim, daria boas fotos. Na real, respeitamos não andar na calle 9 de Puerto Barrios à noite e evitamos subir no templo maia número 6 em Tikal. Ambos na Guatemala. E por falar em Tikal, os deuses eram mesmo astronautas, nenhuma dúvida!

Crédito da imagem: Thierry Rios – Granada, Nicarágua

E o que dizer de Copan e suas ruínas maias em Honduras? Acordar cedo e ver a cidade começando a se movimentar sentados num café de esquina. Ver o pessoal preparando o mercado de rua, jornaleiro gritando, meninada de colégio com seus uniformes característicos, coisas simples que às vezes não temos tempo de olhar.

Deixamos de fazer poucas coisas. Não deu para ir ao mercado de Chichicastenango na Guatemala, mas vimos vários outros. Perdemos algumas fotos, certamente, mas não dava para parar o ônibus para fotografar mulheres coloridas lavando roupas à beira de um rio. Mas fizemos outras quase 5.000 fotos, inclusive de 2 cortejos fúnebres, um deles na estrada de acesso à Masaya, Nicarágua. A cara de um filme de Almodóvar.

Crédito da imagem: Thierry Rios – Antígua, Guatemala

E é isso. Valeu Centroamérica, você realmente existe, você pulsa! Espero voltar um dia para rever essa gente simples, esses rostos marcados do sol, esse colorido que vai do Panamá à fronteira mexicana. Valeu parceiros, valeu meu filho! Que continues fazendo como os pássaros: voar para ver, descer para conhecer!

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Sobre o autor
Engenheiro civil formado pela FURG (1974). Vivi minha vida profissional na área portuária e hoje me dedico a viajar e fotografar! Mais de 100 países visitados e várias exposições fotográficas realizadas. Em busca do próximo destino!
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