Educação Financeira

Cartão de crédito: vilão ou mocinho?

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Uma das dúvidas mais frequentes nas finanças pessoais é quanto ao uso do cartão de crédito. Muitas pessoas se atrapalham na hora de gerenciar os gastos pagos a prazo e prejudicam o orçamento mensal. De modo geral, o cartão de crédito é visto como um grande vilão, mas na verdade o grande problema é a falta de gerenciamento do usuário.

Em junho de 2020, a média do rotativo ficou em 300%, segundo o Banco Central. O consumidor que deixa de pagar a fatura integralmente, entra automaticamente no rotativo, postergando a dívida para o mês seguinte. Quando há pagamento parcial, respeitando o mínimo da fatura, o consumidor não fica inadimplente, então é tratado como “regular” e fica sujeito a juros um pouco menores do que aqueles que optam por não pagar nenhum valor, chamados de “não regulares”.

As altas taxas de juros fazem com que o cartão de crédito, ao lado do cheque especial, seja a dívida mais cara que se pode contrair no Brasil. A forma de pagamento é uma das mais usadas pelos brasileiros, principalmente por possibilitar a compra parcelada. O grande problema surge quando o consumidor passa a utilizar o limite disponível como complemento de renda, o que pode vir a se tornar um “suicídio financeiro”.

As pequenas parcelas que parecem inofensivas se avaliadas individualmente, podem se tornar um incomodo quando somadas às demais compras a prazo. Sendo assim, o usuário acaba com as receitas futuras comprometidas e com seu orçamento engessado, se expondo ao risco da dívida diante de situações inesperadas. Por isso a importância de se ter um planejamento financeiro que leva em consideração o baixo comprometimento da renda e análise de valores totais e não de valores isolados.

Mesmo com todas altas taxas de juros e grande índice de má administração da ferramenta de pagamento, o cartão de crédito pode ser um grande aliado, se usado com inteligência financeira. Com controle, o crédito pode flexibilizar as escolhas ao longo dos meses, já que o valor da compra não é descontado da conta corrente imediatamente, como ocorre nas compras no débito.

 Uma das regras que pode ajudar na tomada de decisão pelo crédito ou débito, é comprar o item desejado a prazo e parcelado caso você possua o valor para realizar a compra à vista. Dito isso, você deve estar se perguntando por qual motivo faria isso se possui o os recursos para adquirir o produto com pagamento no ato. Nesse caso, trata-se de uma estratégia para não se descapitalizar e utilizar o dinheiro para investir em outro objetivo que esteja no radar. Esse tipo de escolha se torna ainda mais vantajosa se não houver desconto à vista e não haver juros para parcelar.

Além disso, uma das principais vantagens do uso do cartão de crédito é possibilitar a participação em programas de pontuações. Isso garante benefícios como descontos na aquisição de vários produtos e serviços, além do acúmulo de milhas que podem ser usadas para obter vantagens na compra de passagens aéreas.

A fatura ainda pode ser usada como uma ferramenta do controle financeiro. Aqueles que possuem essa capacidade de gerenciamento, conseguem concentrar todos os seus gastos no crédito, obtendo mais vantagens e concentrando em uma única saída de fluxo todos os seus pagamentos. Entender como o cartão funciona, ajuda na administração das finanças e viabiliza outras possibilidades de gestão. Não é necessário banir o cartão de crédito dos hábitos de consumo, basta utilizá-lo com consciência.

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Sobre o autor
Bacharel em Engenharia Elétrica e especialista em Engenharia de Produção (PUC-MG), me interessei pelo mercado financeiro em 2016 e desde então não paro de me aprofundar. Atualmente tenho Certificação de Especialista em Investimentos pela Associação Brasileira de Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (ANBIMA) e  de Analista CNPI-T credenciada pela Apimec. Atuo como Especialista em Investimentos e Educadora Financeira.
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