Educação Financeira

Entenda como funciona a inflação de uma vez por todas

7 minuto/s de leitura

Você com certeza sabe o que é a inflação. À noite, ao assistir o jornal e ver que a inflação brasileira subiu ou caiu, você já sabe onde esse dado é refletido, seja nas prateleiras de supermercado ou bombas no posto de gasolina.

A inflação, para o cidadão comum, é mais que uma porcentagem econômica. Ela é um fator fundamental que equilibra seu poder de compra e dá uma compreensão geral de como vai a situação fiscal do país. Se a inflação está alta demais, você sabe que isso pode impactar no quanto você vai pagar na gasolina por mês e se a sua dieta vai precisar mudar por conta de um certo produto que está mais caro.

Com a pandemia de COVID-19, a inflação é uma palavra cada vez mais comum nas conversas. Em 2020, ela fechou em 4,52%, a maior desde 2016. Alimentos ficaram 14,09% mais caros, com o óleo de soja aumentando em 103,79% de custo, e o arroz 76,01%.

A inflação ficou acima do centro da meta definido pelo Conselho Monetário Nacional, de 4%. Porém, ela ficou dentro da margem de tolerância de 1,5 p.p.

Em fevereiro deste ano, a inflação brasileira ficou em 0,86 %, indicando que o índice pode ficar mais alto do que o esperado por economistas para 2021.

Fonte: IBGE

Embora a inflação seja popularmente divulgada de acordo com o IPCA, você sabia que outros índices compõem a inflação do país?

Isso acontece porque a inflação não é a mesma para todo mundo. Para algumas famílias, a variação de preços na alimentação tem um peso muito maior que o preço médio das matérias-primas para indústrias, por exemplo.

Por isso, vários índices compõem o que a gente conhece como inflação brasileira. Cada um com seu grau de importância, períodos diferentes e regiões diferentes:

  • IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo): Sendo o índice de maior peso para as famílias brasileiras, o IPCA é uma média ponderada calculada pelo IBGE, que calcula mensalmente o custo de vida de famílias de 1 a 40 salários mínimos das principais regiões metropolitanas do país. Cada produto possui um peso diferente no cálculo do IPCA, com a variação da gasolina pesando mais que o ajuste nas lotéricas, por exemplo.
  • INPC (Índice Nacional de Preços ao Consumidor): Variação de custo de vida de famílias de até no máximo 5 salários mínimos. Segundo o IBGE, o índice é sensível por se tratar de famílias cuja renda é praticamente toda gasta em itens básicos.
  • IPCA-E (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo Especial): Mesmo cálculo do IPCA, mas divulgado trimestralmente, formado pelas taxas do IPCA-15 (Índice de Preços ao Consumidor Amplo-15), que serve como prévia.
  • IGP (Índice Geral de Preços): Variação de preço de matérias-primas agrícolas e industriais. Ele é divulgado em três formas, cada uma variando de acordo com um período específico. IGP-DI (Índice Geral de Preços – Disponibilidade Interna) mede o mês inteiro, IGP-M (Índice Geral de Preços do Mercado) é referente ao dia 20 ao 21 do próximo mês, e IGP-10 (Índice Geral de Preços 10), referente ao dia 11 ao 10 do mês seguinte. O IGP é formado pela média de outros três índices:
    • IPA (Índice de Preços ao Produtor Amplo – 60% de peso no cálculo)
    • IPC (Índice de Preços ao Consumidor – 30% de peso no cálculo)
    • INCC (Índice Nacional de Custos da Construção – 10% de peso no cálculo)
  • IPC-Fipe (Índice de Preços ao Consumidor, da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas): Cálculo do custo de vida de famílias de 1 a 10 salários mínimos residentes da cidade de São Paulo.
  • IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal): Variação dos preços de produtos e serviços em sete capitais do país.

Por ser mais abrangente, o IPCA é o indicador oficial da inflação no país. Por isso, ao escutar no noticiário que o índice da inflação subiu, a informação é referente ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo.


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Que fatores influenciam a inflação?

A inflação nada mais é que a variação do custo de serviços, produtos e bens no Brasil. É um parâmetro importante para compreender a situação socioeconômica em que um determinado país se encontra.

Um aumento da inflação não necessariamente significa uma piora na situação econômica e social. Como já discutimos em outro texto, inúmeros fatores são responsáveis pela alta no custo de bens e serviços.

Oferta e demanda

A inflação pode aumentar em curto prazo, por exemplo, por conta de uma variação na oferta e demanda de produtos. Se em uma sociedade qualquer, um produto ou serviço de extrema importância começa a aumentar de demanda, ficando difícil de distribuir a todos, seu preço deve aumentar, consequentemente causando inflação.

O aumento de demanda pode ser consequência de inúmeros fatores diferentes, como a alta de poder de consumo, e aumento da importância social desse determinado produto.

Aumento de crédito

O aumento severo no poder de compra da população também era um dos fatores que causaram crises inflacionárias nas sociedades mais rudimentares.

Em um país grande e moderno, como no Brasil, o aumento imediato de crédito pode ser um dos fatores agravantes da alta da inflação. No ano passado, com a aprovação necessária do Auxílio Emergencial por conta da pandemia de COVID-19, milhões de famílias brasileiras aumentaram seu poder de compra durante meses. E, como discutimos, o aumento de crédito é um fator que favorece a alta nos preços.

Outro fator que influencia na alta da inflação é o custo de fabricação e distribuição de produtos. Se o custo geral das matérias-primas sobem, a oferta do produto final tende a diminuir. No final, isso pode significar uma alta nos preços.

Taxa de juros

A inflação também é afetada de acordo com a taxa de juros praticadas. No nosso caso, um dos fatores de maior influência é a meta da taxa Selic, taxa básica de juros praticada no comércio de títulos. A cada 45 dias, o Comitê de Política Monetária (Copom) define uma meta dessa taxa, podendo aumentar ou diminuir os juros de empréstimos pessoais e operações de mais acesso à população.

No caso de uma alta na taxa Selic, os juros básicos praticados aumentam, diminuindo o apetite dos investidores, e por fim causando uma queda na inflação do país. O aumento recente da Selic pelo Copom indica que o Banco Central (BC) busca frear a alta nos preços de produtos e serviços em todo o país.

A alta da inflação é boa pra mim?

A resposta é: depende.

Um fator importante a ser comentado é que a inflação é uma coisa importantíssima para o crescimento do país. Problemas só são gerados com o descontrole da taxa, e quando a população de um determinado país não tem um rendimento que acompanha a alta nos preços.

Se o poder de crédito de uma população acompanha a alta nos preços, com reajustes e afins, a inflação é um ótimo indicativo de que a economia vai bem. Agora, se o salário da população não acompanha a alta nos preços, é sinal que a inflação é um fator que agrava a situação socioeconômica.

Uma inflação controlada também indica mais confiança dos investidores no país, pois a previsibilidade econômica é maior.

Mesmo assim, a alta nos preços significa quase que necessariamente uma desvalorização da moeda.

Agora, quando a alta nos preços está descontrolada, ela é chamada de hiperinflação, pois a moeda se desvaloriza em um ritmo muito alto, a população diminui seu poder de compra, e o efeito dominó pode derrubar a economia, podendo causar quedas inclusive no Produto Interno Bruto (PIB).

A deflação, que descreve uma queda do índice da inflação do país, embora esteja na direção oposta da hiperinflação, também indica uma piora na situação econômica. Isso porque embora o poder de compra tecnicamente aumenta, as empresas vendem menos e o apetite dos investidores diminui.

O Brasil já passou por um episódio de hiperinflação. Entre os anos 80 e 90, o índice da inflação chegou a 80% até a aprovação do Plano Real.

Anúncio do Plano Real por Fernando Henrique Cardoso – Fonte: Eraldo Peres/CB/D.A Press

No momento, pode-se dizer que a alta recente da inflação no Brasil é desfavorável para a população brasileira. Por isso, a meta da taxa Selic, importante instrumento de tentativa de controle do IPCA, aumentou na última reunião do Copom.

Porém, caso exista um equilíbrio no custo de produtos e serviços com o poder de compra da população, o sinal é claro de uma economia que está crescendo em um ritmo saudável.

Por estes fatores, acompanhar a taxa da inflação do país é importantíssimo. Agora você já sabe que ela é fundamental para o crescimento de um país, desde que esteja em equilíbrio com o poder de compra da população.

Como comentamos, além das prateleiras, a variação da inflação afeta diretamente a sua carteira de investimentos. A prática de investir dinheiro é fundamental nos dias de hoje, especialmente se você quer ter um futuro próspero. Agora que você já sabe como funciona um dos índices mais importantes do país, que tal começar a investir hoje mesmo?

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