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Perfil de investidor não define investimento

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O método tradicional sugere tipos de investimentos a partir de uma avaliação que se denomina “perfil de investidor”. A análise se baseia em repostas dadas pelo cliente que deseja se tornar um investidor, na grande maioria dos casos, através de preenchimento de formulários que geram orientações automáticas. Porém, existem outros pontos importantes que deveriam ser questionados antes de partir para uma orientação definitiva.

O investidor que possui aversão à perda e recebe como resposta um perfil conservador terá como indicações investimentos de renda fixa, com baixo risco e alta liquidez. Considerando então a relação risco versus retorno, esse investidor jamais alcançará bons retornos, já que essa relação é diretamente proporcional. Ou seja, quanto maior a tomada de risco, maior o potencial de retorno e quanto menor sua exposição ao risco menor será esse potencial.

O que esquecemos de considerar é que a grande maioria dos investidores que hoje são classificados como agressivos ou arrojados, já passaram pelo perfil conservador e até mesmo pelo moderado. Quando somos iniciantes em qualquer tarefa é natural que demonstremos insegurança. Quem iria responder no seu primeiro contato com o mundo dos investimentos que se sente confortável em perder dinheiro?! Acredito ser pouco provável.

Quando você começa a desenvolver uma nova tarefa qualquer, é esperado que não tenha habilidade naquilo e que, com o tempo e com a prática, você vá desenvolvendo essa habilidade que reflete na sua evolução. O mesmo acontece com o investidor. Com o tempo e a prática, aliados ao estudo, a evolução notoriamente ocorre.  O perfil de investidor não é um dado que precisa ser descartado, mas sim aliado a outros pontos pensando na sua performance, sendo eles:

1) Os seus objetivos e metas:

Se você ainda não tem um objetivo claro para seu investimento, qualquer rentabilidade serve. Definindo suas metas financeiras, considerando inclusive a sua capacidade de aporte, você conseguirá visualizar o quanto de rentabilidade você precisa atingir no período que deseja alcançar essa meta. Assim, você terá meta de resultado mensal/anual para sua carteira de investimentos e essa rentabilidade dirá muito a respeito dos investimentos que você precisa para compor sua carteira.

Se você tem esse objetivo definido e possui uma meta de rentabilidade acima da média oferecida pela renda fixa, sinto te dizer que com um perfil conservador você nunca vai atingir. “Ah, mas e se a Selic voltar a 14%?”. Se a Selic voltar a esse nível, a inflação estará nas alturas, seu ganho real continuará baixo e não é esse cenário que desejamos.

Por outro lado, você pode ser um investidor que já possui um patrimônio consolidado e com uma rentabilidade relativamente baixa você atingirá sua meta, isso vai te mostrar duas alternativas para a sua carteira. Você não precisará correr risco na renda variável e realmente conseguirá ter uma carteira conservadora ou você pode cogitar diminuir o prazo para essa meta e atingi-la antes do previsto.

2) Conhecimento:

Se você não sabe nadar, você não vai pular de ponta numa piscina de profundidade desconhecida (é o que se espera). Provavelmente você vai entrar pelas bordas e talvez fique por ali mesmo, enquanto aqueles que sabem nadar aproveitam toda a área disponível para se divertir. O que eu quero dizer com essa analogia é que se você não buscar o mínimo de conhecimento sobre investimentos, você vai ficar sempre ali na borda, ou seja, no básico da renda fixa e perderá grandes oportunidades. Lembre-se que as pessoas temem aquilo que não conhecem.

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Sobre o autor
Bacharel em Engenharia Elétrica e especialista em Engenharia de Produção (PUC-MG), me interessei pelo mercado financeiro em 2016 e desde então não paro de me aprofundar. Atualmente tenho Certificação de Especialista em Investimentos pela Associação Brasileira de Entidades do Mercado Financeiro e de Capitais (ANBIMA) e  de Analista CNPI-T credenciada pela Apimec. Atuo como Especialista em Investimentos e Educadora Financeira.
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