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De onde surgiu o termo “startup unicórnio”?

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É sonho de todo empreendedor de sucesso que sua companhia atinja altos níveis de valuation no mercado financeiro, impulsionados pela boa gestão, aportes e reconhecimento.

No caso do ramo das startups, que nada mais são que companhias focadas na inovação de mercado, os CEOs sonham em virar unicórnio e quem sabe abrir seu capital na Bolsa de Valores.

As chamadas startups unicórnio são sempre assunto recorrente nos principais portais de economia, e para quem domina a linguagem do mercado financeiro, o termo já é amplamente conhecido.

No Brasil, o termo está sendo cada vez mais utilizado, devido ao crescente número de unicórnios presentes no mercado. Em 2021, por exemplo, o número de unicórnios no país cresceu em 17% em relação ao ano passado.

São startups que chamam a atenção de investidores pelo alto potencial de crescimento, além de usarem tecnologias que revolucionaram não só o mercado financeiro, mas o jeito como contratamos serviços, fazemos nossas compras e checamos nossa conta no banco.

Mas afinal, o que uma figura mitológica tem a ver com startups?

Aileen Lee. Foto: Times

A origem do termo

O termo startup unicórnio’ foi criado em 2003 pela fundadora da Cowboy Ventures, Aileen Lee.

Em seu artigo de 2003, Welcome to the unicorn club: learning from billion-dollar startups, Aileen chamou 39 startups da época de unicórnios, se referindo a sua raridade no mercado financeiro, tal como uma figura mitológica.

Aileen estava falando nada mais nada menos que a valuation dessas startups. No mercado financeiro, são aquelas cujo valor de mercado seja igual ou superior a US$ 1 bilhão sem que estejam listadas na Bolsa de Valores.

Imagine que uma grande floresta tropical é o mercado financeiro, com vários tipos de animais no ecossistema. Quando um unicórnio, figura mitológica raríssima, aparece, todos provavelmente vão voltar sua atenção para ele.

Enquanto que em obras como o filme Blade Runner, de 1982, de Ridley Scott, o unicórnio signifique a dualidade da natureza de Deckard, quando o policial sonhou com a figura mitológica, no mercado financeiro ele é sinônimo de raridade, inovação, potencial de crescimento e atratividade.

Cena do filme Blade Runner. Imagem: Warner Bros

Ser unicórnio não significa apenas que sua valuation passou da marca de US$ 1 bi, mas também que a startup tem um grande potencial de disruptura no setor, revolucionando o status quo, sendo aportada por grandes fundos internacionais e sempre alinhada a tecnologias de ponta.

No mercado financeiro, a grande maioria dessas startups possuem softwares como produto principal, seguido de companhias de hardware e depois de outros serviços. É por isso que quando falamos de unicórnios, muito provavelmente estamos falando de empresas de tecnologia.

Claro que, desde 2003, o mundo conta com muito mais que 39 startups que são descritas no artigo de Aileen. De acordo com a CB Insights, em 2021, o mercado financeiro já conta com mais de 700 unicórnios, com grande destaque para as fintechs, que representam a maioria das startups que passaram da valuation de US$ 1 bi de 2020 para cá.

Existem, inclusive, novos termos cunhados para representar startups mais raras ainda. É o caso dos “super unicórnios”, startups cujo valor de mercado já passa de US$ 100 bilhões.

Mesmo assim, o termo ainda é amplamente utilizado, justamente porque essas startups continuam chamando muita atenção do mercado em geral, e, no caso do Brasil, elas não são tão comuns assim.

Modelo de negócio

De acordo com o artigo publicado por Aileen Lee, existem quatro categorias principais que descrevem o modelo de negócio das startups unicórnios:

  • E-commerce: quando o consumidor paga diretamente por produtos ou serviços em plataforma online;
  • Audiência: companhias que oferecem uma plataforma 100% gratuita. Neste caso, o lucro vem de maneiras um pouco mais indiretas, como via adsense e outros tipos de propagandas;
  • SaaS (Software as a Service): disponibilizar serviços através de plataformas baseadas em nuvem;
  • Empreendimento: companhias pagam por softwares de larga escala.

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Imagem: Uber

Quem são os unicórnios?

Agora que você já sabe o que um unicórnio significa no mercado financeiro, algumas companhias certamente surgiram na sua cabeça.

Algumas dessas startups citadas no artigo de Aileen já fazem parte do dia-a-dia de milhões de pessoas, e já mudaram nosso jeito de consumir, relacionar com outras pessoas e contratar serviços. Entre elas, estão o Facebook, Uber, Yelp, Pinterest, Twitter, Airbnb, Dropbox, Youtube e Hulu.

No Brasil, a primeira startup unicórnio reconhecida é o aplicativo 99 Taxi, que passou da marca de US$ 1 bilhão em valuation em janeiro de 2018, quando recebeu um aporte financeiro de US$ 100 milhões da japonesa SoftBank.

A segunda empresa a receber uma valuation de 1 US$ bi foi o Pagseguro, da UOL. Logo em seguida, veio o Nubank, o roxinho que muitos de nós já conhecemos que atua no mercado financeiro como fintech e banco que oferece cartões de crédito.

Além desses três, outras 16 startups formam o time completo de unicórnios brasileiros:

  • Arco Educação;
  • iFood;
  • Stone;
  • Brex;
  • Gympass;
  • Ascenty;
  • Loggi;
  • Quinto Andar;
  • Ebanx;
  • Wildlife;
  • Loft;
  • Vtex;
  • Creditas;
  • C6 Bank;
  • MadeiraMadeira;
  • Hotmart.
Imagem: Neon

Quais são os próximos unicórnios brasileiros?

Prever o mercado não é uma coisa fácil, mas após aprendermos o que faz de uma startup um unicórnio, podemos arriscar alguns nomes que já vem chamando atenção no mercado brasileiro.

Boa parte dessas startups são conhecidas pela ascensão acelerada nos últimos anos, grande potencial de crescimento para 2021, e possível aporte que pode colocá-las na categoria de unicórnios brasileiros.

Abaixo, confira algumas delas:

  • Neon;
  • Estapar;
  • Conta Azul;
  • Petlove;
  • Cortex;
  • CargoX;
  • Contabilizei;
  • GuiaBolso;
  • Olist;
  • Pipefy.

Foto: Reuters / Divulgação

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