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Por que os juros do Brasil são tão altos?

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Com o agravamento da crise sanitária no país, alta da inflação e desemprego, queda do crescimento econômico e menor poder de compra, o brasileiro está cada vez mais endividado, e sente isso quando tenta fazer operações bancárias que envolvem abertura de crédito ou parcelamento de faturas do cartão.

De acordo com dados da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), que realiza a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), o número de brasileiros endividados atingiu 72,9% da população em agosto de 2021. 

Com o número, estima-se que pelo menos 11,89 milhões de brasileiros encerraram o mês de agosto com dívidas. 

Com o aumento das dívidas, o brasileiro, ao realizar operações de compra com cartões de crédito, acaba se surpreendendo com os valores de juros apresentados pelas instituições financeiras. 

De acordo com dados do Banco Central (BC), as taxas de juros para os clientes regulares, ou seja, que pagam pelo menos 15% das faturas dentro dos prazos estipulados, saltou de 327,5% ao ano em junho para 331,5% em julho. 

Os juros do cheque especial atingiram 123,5% em julho, enquanto os juros do cartão de crédito parcelado ficaram em 163,6%. 

Os juros de cartão de crédito são, portanto, os mais altos do mercado. No caso das taxas para abertura de crédito nos bancos, os valores também não agradam. O que exatamente influencia na alta das taxas? 

Abaixo, você vai conhecer alguns desses motivos: 

Inadimplência e risco 

Fique atento: inadimplência não é a mesma coisa que endividamento. 

Enquanto 69,7% dos brasileiros estão com dívidas, no caso dos inadimplentes, que possuem contas e pagamentos em atraso, a taxa está em 25,6%. 

Por que isso é importante? Tudo tem a ver com o risco assumido pelas instituições financeiras. 

Com uma alta taxa de inadimplência entre os brasileiros, as instituições não possuem a garantia fundamental de que seus clientes vão pagar as contas em dia. Esse é um dos principais motivos que levam as instituições a terem juros altíssimos na conceção de crédito para o consumidor comum, por exemplo. 

Outro ponto que agrava a situação é que a instituição financeira, ao assinar um contrato com o consumidor, não possui uma gama completa de informações sobre o histórico financeiro desse cliente em específico. 

Isso significa que o patrimônio do cliente não é conhecido, nem mesmo se um futuro contato para cobrança será simples.  

Por isso, no caso da conceção de crédito, por exemplo, os juros praticados acabam obedecendo um valor médio, não “personalizável” de acordo com o perfil financeiro de cada um. 

É diferente do caso de empréstimos bancários feitos entre as instituições financeiras, que são mais sólidas e com baixíssimo risco de inadimplência. No caso dos empréstimos over, de curtíssimo prazo, que usam títulos públicos e Certificados de Depósito Interbancário (CDI), os juros praticados costumam oscilar um pouco abaixo da meta Selic, que atualmente está em 5,25%. 

Essa falta de integração nas informações de consumidores está sendo resolvida com a implementação de uma moderna tecnologia do Banco Central (BC), o Open Banking, que vamos comentar mais abaixo. 


Saiba mais

Entenda como o Open Banking deve trazer vantagens para os bancos, comércio e consumidores


Concentração bancária 

O grande sistema bancário brasileiro possui poucas instituições financeiras de grande porte de atuação. 

Esse cenário contribui para taxa de juros mais altas justamente pela ausência da alta competitividade entre essas instituições. 

Em teoria, uma maior descentralização, com a inclusão de fintechs no mercado, como o Nubank, tende a reduzir os valores pagos em juros pelos clientes. Desde 2018, o Conselho Monetário Nacional (CMN) permitiu que essas fintechs atuem de maneira mais independente. 

Mesmo assim, é importante compreender que as normas impostas pelo Banco Central (BC), custos de operação e margem de lucros ajudam a contribuir nas definições de juros. 

Educação financeira 

Às vezes, as dívidas podem acumular não por conta de má fé do consumidor, mas por falta da instrução necessária. 

Todos nós nos deslumbramos com alguma compra muito desejada, e podemos, como um último recurso para conseguir pagar a conta, optar pelo parcelamento de faturas de cartão de crédito. 

Isso é uma verdadeira “armadilha” para o consumidor, que vai acabar pagando taxas altíssimas de juros e correndo o risco de entrar em inadimplência. 

Afinal, todo mundo já ouviu uma vez na vida que “com juros de cartão não se brinca”. 

Recurso disponível 

Se o banco empresta, ele tem que ter esse dinheiro disponível. 

Se a economia não está favorável e as pessoas acabam poupando muito menos, os recursos para a oferta de abertura de crédito ficam mais limitados. 

O Open Banking chega para ajudar 

Não existe uma “solução” imediata para o problema dos juros altos no país. Muitas coisas, que incluem a educação financeira, criação de novas instituições financeiras para fomentar a competitividade e um cenário econômico favorável no país podem contribuir para um cenário onde o brasileiro pagará taxas menores de juros. 

Outra coisa que também pode acontecer com o tempo é a redução na taxa média de juros pagos pelo brasileiro por conta da implementação de novas tecnologias. É o caso do Open Banking. 

O “banco aberto” nada mais é que um complexo sistema de compartilhamento de informações entre todas as principais instituições financeiras do país. 

Com a sua implementação, aquele cliente “invisível” para uma instituição financeira se torna uma carteira completa de informações, desde histórico financeiro ao patrimônio. Assim, os juros acabam sendo mais “personalizados” de acordo com cada cliente. 

Além disso, contribui para a descentralização do mercado financeiro, já que as pequenas fintechs terão acesso à mesma gigantesca base de dados que as grandes instituições financeiras. 

Já comentamos a respeito do Open Banking no nosso short squeeze e matéria especiais sobre o tema, que contaram com a participação de Karen Lopes, personal banker

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