Entrevistas

A previdência privada evoluiu e se tornou uma excelente alternativa de investimento a longo prazo, afirma especialista da Messem Investimentos

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Nesta semana, o Short Squeeze recebeu o especialista em investimentos Eduardo Massing, responsável pela área de previdência da Messem Investimentos na região sul, para uma conversa sobre previdência privada

Além de ser possibilitar um complemento à aposentadoria paga pelo governo, a previdência privada também é uma das principais alternativas de investimento a longo prazo, sendo hoje o produto com maior valor investido no mercado brasileiro. 

A seguir você verá um resumo desta conversa e um conteúdo exclusivo sobre como a previdência privada pode ser uma grande aliada na sucessão patrimonial. Confira! 

O ENTREVISTADO 

Eduardo Massing é formado em Administração de Empresas pela Universidade de Caxias do Sul (UCS), com ênfase em gestão financeira. Atuou no setor financeiro de grandes empresas da região e migrou para o setor bancário em 2012, onde trabalhou por mais de 7 anos. 

Desde 2019, faz parte da equipe da Messem Investimentos, escritório de AAIs filiado à XP Investimentos. Eduardo é o responsável pela área de previdência privada na Região Sul onde a Messem está presente nos estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. 

Na Messem Investimentos desde 2019, Eduardo Massing é o responsável pela área de previdência privada da empresa na região sul do Brasil 

COMO COMPLEMENTO À APOSENTADORIA 

Para Eduardo, a previdência privada é o investimento ideal para aqueles que desejam construir a sua aposentadoria sem que seja necessário depender dos valores recebidos na aposentadoria convencional, paga pelo governo. Segundo Eduardo, um fator determinante para isso é questão fiscal, já que a previdência privada possui uma série de vantagens em relação a outros produtos na tributação. 

“Para investir em previdência privada, o cliente basicamente contrata um plano que seja adequado ao seu objetivo e dentro do seu perfil de investidor, duas questões bastante importantes, com horizonte de longo prazo”, aponta. “Ele pode optar por aportes mensais, semestrais, anuais ou simplesmente fazer um único aporte e deixar o valor rendendo ao longo do tempo para no futuro transformar em renda. Isso é o que a gente chama de fase de acumulação”. 

Na hora do resgate, a previdência privada oferece algumas possibilidades aos investidores, as principais sendo: 

  • Renda vitalícia: como o próprio nome sugere, o cliente recebe valores referentes à aplicação pelo restante de sua vida. 
  • Renda por prazo determinado: o cliente estipula um determinado tempo para receber os valores referentes à aplicação. 
  • Autogestão do recurso: o cliente pode manter o aporte na previdência privada por tempo indeterminado, fazendo saques conforme julgar necessário. 

“Tem muito aquela ideia de que na previdência a gente estipula uma idade […] e chegando nesse momento a gente é obrigado a transformar em renda. Não, a gente tem uma liberdade muito grande na previdência, podendo tanto antecipar essa idade como também postergar. (A previdência) acaba dando essa liberdade da autogestão”, aponta Eduardo. 

PREVIDÊNCIA COMO INVESTIMENTO CONVENCIONAL 

Para Eduardo, a previdência privada mudou muito nos últimos anos, tornando-se um produto mais dinâmico e atraente tanto para clientes quanto para gestores de fundos. Abriu-se, então, um novo leque de possibilidades, com a previdência passando a ser cada vez mais interessante como um produto de investimento convencional. 

“A previdência passou por uma evolução muito grande nos últimos anos, passando a aceitar diversos tipos de estratégias que antes não estavam disponíveis no produto. Esse movimento acabou atraindo os principais gestores do mercado e fez com que eles criassem as versões de previdência dos seus fundos”, afirmou Eduardo. 

Essa evolução consolida a previdência privada como uma das principais alternativas de aplicação para o longo prazo no mercado brasileiro. Hoje, inclusive, a previdência privada é o produto com maior valor investido no nosso mercado financeiro. 

“A previdência no passado era um pouco mais engessada. Havia poucas opções de estratégias, poucos gestores criavam fundos de previdência e isso acabava prejudicando um pouco o desempenho do produto. Nos últimos anos tivemos diversas mudanças de legislação permitindo que a previdência tivesse acesso a estratégias de renda variável, multimercados, quantitativos, internacionais, entre outras”, aponta. 

“(São) Estratégias que antes não estavam disponíveis para o produto, e isso acabou atraindo diversos gestores, os principais gestores do país, gestores internacionais, que viram realmente é um produto que tem uma demanda muito grande no mercado, tanto que hoje é o produto que o brasileiro mais investe”. 

Os fundos de previdência também se destacam no mercado por sua alta liquidez, o que a difere da maioria dos demais produtos focados no longo prazo. “No momento que tiver uma emergência, tu pode sim solicitar o resgate da previdência ou de parte dela para destinar a essa emergência, acaba tendo essa liberdade. 

PREVIDÊNCIA X FUNDOS CONVENCIONAIS 

Como citado anteriormente, os planos de previdência privada possuem uma série de vantagens fiscais em relação a outros produtos, como fundos de investimentos convencionais. 

Uma das principais vantagens da previdência é a ausência dos come-cotas, presente nos fundos convencionais. O come-cotas é um imposto cobrado anualmente nos meses de maio e novembro, o mecanismo é usado pela Receita Federal como forma de antecipar o pagamento dos tributos referentes aos rendimentos de uma aplicação em fundos de investimentos. 

A tabela regressiva também favorece os fundos de previdência privada. Ao contrário dos outros produtos, onde a alíquota mínima chega a 15%, na previdência privada esse valor pode chegar a até 10%. “Isso faz com que o teu valor líquido seja maior em previdência”. 

Segundo Eduardo, se compararmos um fundo de previdência com um fundo convencional se mesmo perfil e rentabilidade ao longo de, por exemplo, 10 anos, o montante acumulado ao final da previdência será maior, além de receber menos incidência de impostos. 

“Por que isso, de chegar num montante maior, se é o mesmo perfil, mesmo prazo, mesma média de rentabilidade? Por aquelas questões que a gente comentou: todo ano numa carteira de fundos convencionais tu vai ter a incidência do come-cotas. […] Na previdência tu não vai ter isso, então ao longo desses 10 anos tu vai ter esse valor permanecendo na tua previdência e vai recebendo também os juros compostos em cima desse imposto que tu deixas de pagar”. 

Outra grande vantagem da previdência ante os fundos convencionais é a possibilidade de migração do aporte para diferentes fundos sem perdas de capital. “Caso ele queira trocar de fundo, ele não precisa ir lá, resgatar o valor do fundo, pagar o Imposto de Renda e entrar no outro fundo com valor menor. Ele pode fazer a portabilidade interna da previdência, que nada mais é do que transferir o saldo total sem incidência de imposto de um fundo para o outro”, aponta Eduardo. “Isso acaba dando um ganho financeiro para o cliente no longo prazo”. 

“Durante esses 10 anos, o mercado com certeza vai mudar muito, vão surgir muitas oportunidades, bons fundos que estão reabrindo, outros fechando e tu vai ter a necessidade de fazer mudanças de fundos, alterações na tua carteira. […] Resgatou R$ 10 mil de um fundo, pagou o imposto, entra no fundo novo com R$ 9 mil e pouco, um valor menor. Já na previdência tu portabiliza R$ 10 mil e os mesmos R$ 10 mil entram naquele outro fundo. Também já é um valor que tu deixas de pagar e também vai receber os juros compostos em cima dele”. 

PGBL X VGBL 

Existem duas modalidades de previdência privada no mercado brasileiro: PGBL e VGBL, cada modalidade com suas características específicas. Por isso, é importante se atentar para qual produto faz mais sentido para o seu perfil. 

O Plano Gerador de Benefícios Livres (PGBL) tem as maiores vantagens fiscais durante o período de acumulação. Isso porque hoje é possível investir até 12% do valor tributável no Imposto de Renda em previdência privada, diminuindo o valor dos impostos pagos à Receita Federal. 

“Uma pessoa que tem uma renda tributável anual de R$ 100 mil, ela pode utilizar até R$ 12 mil para aportar em previdência e a base tributável dela de R$ 100 mil cai para R$ 88 mil. Isso gera uma economia de imposto, esse já é um ponto bastante interessante”. 

No plano Vida Gerador de Benefícios Livres (VGBL), não é possível abater os aportes do IR, mas há uma vantagem fiscal em relação ao PGBL no momento do resgate. Os impostos incidem apenas sobre os rendimentos de uma previdência VGBL, enquanto no PGBL todo o montante da aplicação é tributado. 

O principal ponto de atenção na contratação de uma previdência privada é a questão tributária. Para ele, é preciso entender bem as diferenças entre o PGBL e o VGBL antes de contratar uma previdência privada e se a alíquota do IR é progressiva ou regressiva. “Pois isso vai definir quanto de IR você vai pagar na hora de usufruir do dinheiro e essas questões podem dar uma diferença gigantesca no valor do imposto”. 

SUCESSÃO PATRIMONIAL 

Para Eduardo, a última grande vantagem da previdência privada ante os demais produtos do mercado financeiro é notada no momento da sucessão patrimonial. Além dos seguros de vida, a previdência privada é o único produto no nosso mercado que não é inventariado e, em caso de morte do titular, pode ser sacado de forma mais ágil pelos herdeiros. 

“Ela é uma excelente ferramenta de sucessão patrimonial […] Quando o titular vem a faltar, os beneficiários conseguem receber o valor da previdência dentro de uma média de 30 a 40 dias, cada um na sua conta, sem passar por inventário, sem ter cobrança de ITCMD (Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação), garantindo uma liquidez sucessória e uma facilidade de acesso a esse dinheiro muito grande”. 

Essa liquidez sucessória pode ser alcançada tanto em planos PGBL ou VGBL, a forma de pagamento pode variar de acordo com o plano contratado e este ponto merece atenção no momento de contratar uma previdência privada. 

É importante observar que, quando se contrata uma previdência com plano de renda vitalícia, esse montante não será parte da herança, uma vez que apenas o titular da aplicação pode receber o mesmo (de forma vitalícia). Em planos de renda por prazo determinado, os herdeiros recebem pagamentos ao longo do prazo original contratado pelo titular. Por último, o dinheiro de uma aplicação contratada em modelo de autogestão é transferido à vista para os herdeiros. 

TUDO DEPENDE DO SEU PERFIL 

Eduardo destaca bastante a versatilidade dos fundos de previdência privada, principalmente por suas vantagens fiscais em relação a outras modalidades de investimento. Mas o especialista em investimentos ressalta a importância do perfil do investidor para que seja possível traçar a melhor estratégia possível. 

“Tudo depende do perfil e do objetivo. A gente vai ter diversos produtos muito bons pro longo prazo, mas todos eles vão ter as suas particularidades. Por exemplo, se a gente for pensar num CDB com uma taxa pré (fixada) de 7, 8 ou 10 anos, a gente consegue taxas excelentes e sem ter oscilação, é uma taxa garantido. Porém, sem ter a liquidez, caso tu precises resgatar, vai ter uma perda de capital, não um ganho”, aponta Eduardo. 

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